quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
O Sábio
Quisera eu saber da dor do amor, da dor do parto, da dor do parto
Se eu soubesse o peso de uma lágrima ou o sofrimento contido na paixão
Jamais teria amado, parido, partido, chorado, me apaixonado, jamais apaixonado.
Quem dera saber o valor de uma rosa, o terror de uma morte , a dor de uma briga
Jamais teria ofertado, morrido ou vencido
Saber do valor de uma vida, jamais teria vivido.
Balanço de 2008
Talvez poucas pessoas tenham perdido as duas coisas que mais amou em toda sua vida, num mesmo ano.
Talvez muitas pessoas tenham chorado a exaustão, mas sequer tenham sentido o peso de duas lagrímas que jamais secarão, num mesmo ano.
Talvez muitas pessoas tenham decidido mudar de vida no ano que vai partindo, talvez sua maioria nem tenha posto em prática essa vontade, mas certamente poucas estão vivendo esse momento e sequer tem mais forças pra se levantar pela manhã.
Talvez eu espere um próximo ano com mais certezas, talvez eu nem esteja aqui pra ver o final do ano que vem, talvez nem voce esteja para um “quem sabe” próximo balanço anual.
Esse ano só me deu uma certeza, a de que eu quero que ele temine antes de mim.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Você e a Madrugada
Chegou e fez-se notar imediatamente
Como a presença irremediável da madrugada
Naquela noite, me fez livre e eterno
Envoltos nos astros, nos amamos como nenhum ser poderia amar.
Bebi daquela madrugada como se fosse minha vida
Respirei o ar gélido da noite
Com a calidez sôfrega da ânsia dos corpos
E como se o relógio fosse invenção banal.
Partiste como a névoa da serra ao início da aurora
Sem marcas, sem vestígios tangíveis
Exceto pelo serração da lembrança
Eternamente querendo saber que horas são.
Como a presença irremediável da madrugada
Naquela noite, me fez livre e eterno
Envoltos nos astros, nos amamos como nenhum ser poderia amar.
Bebi daquela madrugada como se fosse minha vida
Respirei o ar gélido da noite
Com a calidez sôfrega da ânsia dos corpos
E como se o relógio fosse invenção banal.
Partiste como a névoa da serra ao início da aurora
Sem marcas, sem vestígios tangíveis
Exceto pelo serração da lembrança
Eternamente querendo saber que horas são.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
A Morte do Poeta
Deixo aqui minhas útimas frases
Levaste contigo a minha inspiração
Com ela, levaste também meu sorriso.
Agora tenho certeza que é preciso mais que lágrimas para escrever
É preciso sorriso, um sorriso disfarçado de pranto
É preciso felicidade e dor, numa mesma proporção
Paixão e sofrimento ritmados.
Um poeta sem musa inexiste, é frio
Uma vida sem amor é vã, não cabe papel e caneta
Levaste consigo o meu amor
Mataste assim um poeta.
Levaste contigo a minha inspiração
Com ela, levaste também meu sorriso.
Agora tenho certeza que é preciso mais que lágrimas para escrever
É preciso sorriso, um sorriso disfarçado de pranto
É preciso felicidade e dor, numa mesma proporção
Paixão e sofrimento ritmados.
Um poeta sem musa inexiste, é frio
Uma vida sem amor é vã, não cabe papel e caneta
Levaste consigo o meu amor
Mataste assim um poeta.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Olhos Torturantes
Quantos sonhos escondem teus olhinhos puxados
Olhos anti-fogo, abrandando a chama que se arde por dentro
Olhos de conta-gotas, que nos faz apaixonar aos poucos
Lenta e insanamente.
A sábia natureza já te fez criatura de olhos semi-cerrados
Para que pudesses conviver com meros seres como nós
Sem que deixasse escapar pelos olhos, o paraíso que esconde em ti
Sem que nos mate subtamente de paixão exacerbada.
A vida te fez assim, assassina lenta
Nos findando amiúde numa transfusão, em gotas, de amor próprio
A vida te fez assim, longe de nós, cálidos latinos
Evitando então um genocídio de amor incontrolável.
Olhos anti-fogo, abrandando a chama que se arde por dentro
Olhos de conta-gotas, que nos faz apaixonar aos poucos
Lenta e insanamente.
A sábia natureza já te fez criatura de olhos semi-cerrados
Para que pudesses conviver com meros seres como nós
Sem que deixasse escapar pelos olhos, o paraíso que esconde em ti
Sem que nos mate subtamente de paixão exacerbada.
A vida te fez assim, assassina lenta
Nos findando amiúde numa transfusão, em gotas, de amor próprio
A vida te fez assim, longe de nós, cálidos latinos
Evitando então um genocídio de amor incontrolável.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Carta a desconhecida
Temo diante da inconstâcia natural de tua alma feminina
Que transcede o exotérico se externando em tua pele morena
De poros que exalam a sensualidade intrinseca a tua presença
Presença distante que me fez tremer e duvidar do real.
Uma boca que fala e toma repentina conotação até então ausente
Sorriso de vida própria e que traz vida a quem outrora moribundo do amor
Sorriso que recrudesce aquele que é da vida descrente
E que faz o cético enaltecer a tua beleza extraterrena.
Quem dera o homem, em sua forma reversa, pudesse alcança-la
Quem dera o mundo fosse feito de mais "voces"
Quem dera eu poder te-la fora de meus pensamentos
E o total vazio em minha mente a trouxesse pra mim.
Que transcede o exotérico se externando em tua pele morena
De poros que exalam a sensualidade intrinseca a tua presença
Presença distante que me fez tremer e duvidar do real.
Uma boca que fala e toma repentina conotação até então ausente
Sorriso de vida própria e que traz vida a quem outrora moribundo do amor
Sorriso que recrudesce aquele que é da vida descrente
E que faz o cético enaltecer a tua beleza extraterrena.
Quem dera o homem, em sua forma reversa, pudesse alcança-la
Quem dera o mundo fosse feito de mais "voces"
Quem dera eu poder te-la fora de meus pensamentos
E o total vazio em minha mente a trouxesse pra mim.
domingo, 14 de setembro de 2008
Nostalgie
Tem dias que de tão inspirados nos somem as palavras
Como se tanto sentimento não coubesse no papel ou se embaralhassem na cabeça
Sentimentos que de tão grandiosos se tornam inexprimiveis
Dias que de tão cheios, se tornam vazios e até chove.
Nesses dias me da vontade de largar o leme, abandonar o barco
Deixar que a tristeza se extravase em pranto e deixar que o pranto semeie a esperança
A lágrima é a expressão mais nobre do desgosto que nos deixa o vazio absoluto
De tão nobre que nem borra o pensamento indescritível no papel.
A vida é tão curta pra se jogar fora dois ou três anos
A morte é tão inesperada pra se deixar que a saudade nos consuma
E a saudade é tão voraz, que nos transporta pra um limbo, algo entre a vida e morte, que nos deixa numa espécie de coma
Um coma induzido que só pede que regresses.
Como se tanto sentimento não coubesse no papel ou se embaralhassem na cabeça
Sentimentos que de tão grandiosos se tornam inexprimiveis
Dias que de tão cheios, se tornam vazios e até chove.
Nesses dias me da vontade de largar o leme, abandonar o barco
Deixar que a tristeza se extravase em pranto e deixar que o pranto semeie a esperança
A lágrima é a expressão mais nobre do desgosto que nos deixa o vazio absoluto
De tão nobre que nem borra o pensamento indescritível no papel.
A vida é tão curta pra se jogar fora dois ou três anos
A morte é tão inesperada pra se deixar que a saudade nos consuma
E a saudade é tão voraz, que nos transporta pra um limbo, algo entre a vida e morte, que nos deixa numa espécie de coma
Um coma induzido que só pede que regresses.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Carta a mim mesmo
Jogo perdido. Já não exite mais espaço pra fuga. A monotonia rotineira do cotidiano ja não lhe faz feliz.
Voltarás para os meus braços, muito antes do que imaginas, pois só eu sei todos os atalhos do teu corpo perfeito.
Tua pele não é mais a pele imaculada de outrora, minhas digitais não se apagarão jamais.
Tens marcada cada entranha do teu corpo com meu fluido.
Não adiantas fingir teu coracão de metade, pois teu corpo só treme sob o meu, só queima com o meu toque, e hoje, é só isso que tua mente deseja.
Voce não é mais voce, voce sou eu sem querer alforria. Lhe tenho os dois seios nas mãos, e tu não te entregas pela metade. Não em minha cama.
Hoje sou teu dono, e a parca "metade" que resta, lhe resta sob minha concessão.
Transcendemos a relação intersexual, criamos bichos, bichos devoradores de alma, bichos anti-cristãos, que se juntam conosco numa intensa relação de paixão carnal a quatro, e que lhe é necessária.
Perdemos o jogo de travessuras, e hoje, somos nós quatro fundidos num só ser, um ser que se humilha, que se cospe, que se espanca, que se ama, um ser sem limites na busca incessante do prazer.
Voltarás aqui, desolada, pois já não consegues encontrar a paz dentro de voce sem mim, por mais que tentes soltar seus monstros, por mais que te deites noutra cama, nossas marcas de paixão estão entranhadas, na subcutis, pelo fogo da nossa febre.
Tua imagem no espelho já não é mais a mesma, viverás com a minha penumbra a distorcer-lhe e com teu rosto marcado, invesivelmente, pelo nosso prazer.
Tua culpa virou paixão e seu medo transformou-se em ousadia. Ontem te fiz mais mulher e tú me fizeste mais homem, hoje não passamos de seres únicos, assexuados e interdependentes. Já não carregas em tí a pessoa que trouxeste contigo, carregas por fim, nossas almas em enlace.
E eu lhe afirmo, com ar de profeta, não encontrarás felicidade longe da sua metade, aprendeste a ser plena e livre.
Sua doutrina consentida lhe fará voltar dessa fuga de sí, impotente e certa de que se perdeu de seu cerne, e, de que nada mais poderás fazer, exceto esquecer-se das convenções e assumir que mereces, pura e tão somente, viver a vida na intensidade que aprendeu a amar.
Bruno Leite
Voltarás para os meus braços, muito antes do que imaginas, pois só eu sei todos os atalhos do teu corpo perfeito.
Tua pele não é mais a pele imaculada de outrora, minhas digitais não se apagarão jamais.
Tens marcada cada entranha do teu corpo com meu fluido.
Não adiantas fingir teu coracão de metade, pois teu corpo só treme sob o meu, só queima com o meu toque, e hoje, é só isso que tua mente deseja.
Voce não é mais voce, voce sou eu sem querer alforria. Lhe tenho os dois seios nas mãos, e tu não te entregas pela metade. Não em minha cama.
Hoje sou teu dono, e a parca "metade" que resta, lhe resta sob minha concessão.
Transcendemos a relação intersexual, criamos bichos, bichos devoradores de alma, bichos anti-cristãos, que se juntam conosco numa intensa relação de paixão carnal a quatro, e que lhe é necessária.
Perdemos o jogo de travessuras, e hoje, somos nós quatro fundidos num só ser, um ser que se humilha, que se cospe, que se espanca, que se ama, um ser sem limites na busca incessante do prazer.
Voltarás aqui, desolada, pois já não consegues encontrar a paz dentro de voce sem mim, por mais que tentes soltar seus monstros, por mais que te deites noutra cama, nossas marcas de paixão estão entranhadas, na subcutis, pelo fogo da nossa febre.
Tua imagem no espelho já não é mais a mesma, viverás com a minha penumbra a distorcer-lhe e com teu rosto marcado, invesivelmente, pelo nosso prazer.
Tua culpa virou paixão e seu medo transformou-se em ousadia. Ontem te fiz mais mulher e tú me fizeste mais homem, hoje não passamos de seres únicos, assexuados e interdependentes. Já não carregas em tí a pessoa que trouxeste contigo, carregas por fim, nossas almas em enlace.
E eu lhe afirmo, com ar de profeta, não encontrarás felicidade longe da sua metade, aprendeste a ser plena e livre.
Sua doutrina consentida lhe fará voltar dessa fuga de sí, impotente e certa de que se perdeu de seu cerne, e, de que nada mais poderás fazer, exceto esquecer-se das convenções e assumir que mereces, pura e tão somente, viver a vida na intensidade que aprendeu a amar.
Bruno Leite
Eu, voce e o Chico
Ah, o que eu não faria pra te conquistar!
Brilhantes, carros, viagens, meu coracão banhado a ouro...
Mas a mim só me cabe flores, poemas, rubores e pedidos de altar
Talvez promessas, carícias, paixão maluca e com cheiro louro.
Se pudesse trazer o Chico, num fechado restaurante chique, pra nós dois
Mas a mim só me cabe, buquê, convidados, igreja e arroz
Não nasci industrial, playboy, cantor ou banqueiro
A vida me fez poeta e só o que sei e cantar no chuveiro.
Que chances eu teria de te-la eternamente?
Sou apenas mais uma gota no seu mar.
Que chances eu teria de viver contente?
Talvez escreva uma música e peça pro Chico gravar.
Brilhantes, carros, viagens, meu coracão banhado a ouro...
Mas a mim só me cabe flores, poemas, rubores e pedidos de altar
Talvez promessas, carícias, paixão maluca e com cheiro louro.
Se pudesse trazer o Chico, num fechado restaurante chique, pra nós dois
Mas a mim só me cabe, buquê, convidados, igreja e arroz
Não nasci industrial, playboy, cantor ou banqueiro
A vida me fez poeta e só o que sei e cantar no chuveiro.
Que chances eu teria de te-la eternamente?
Sou apenas mais uma gota no seu mar.
Que chances eu teria de viver contente?
Talvez escreva uma música e peça pro Chico gravar.
sábado, 19 de julho de 2008
O Bom Amigo
Um bom amigo não é aquele que separa sua briga, e sim aquele que precisa ser separado dela
E recorda contente seu feito, que na verdade foi dele.
Um bom amigo nunca lhe estende um braço, lhe estende um copo, quase que cheio
E tem sempre um sofá, tão amigo quanto, disponível em sua sala.
Um bom amigo compra dez caixas de skol, mas sempre se lembra de comprar sua caixinha de brahma cativa
E não lhe pede cuidado com o bafômetro, lhe pede que xingue o PM, e ligue, caso precise de reforço.
Um bom amigo cultiva sempre, ao pé da mesa, um whisky muito mais velho que o das outras mesas ao redor.
Alheio aos olhares de pedinte e aos comentários maldosos do convidado ao lado.
Um bom amigo nunca cobiçará sua mulher pelas suas costas, e sim pelas costas dela
O faz pela frente e com certo ar de piadista.
Um bom amigo, se adversário, nunca deixará de cortar seu Ás, se parceiro, nunca deixará de xingar sua mãe caso seu sete caia antes do Ás
Este não precisa fazer média, visto que é da família.
Um bom amigo comemora a vitória do vasco sobre o flamengo, muito mais pela derrota do flamengo
Mas jamais critica com veemência o Brizola, ao menos na sua frente.
Um bom amigo não chorará sobre seu caixão, apoiará sobre ele os copos, e enaltecerá suas histórias, mesmo que faroleiro
Debochará das derrotas, e nelas, lhe exaltará um guerreiro
Na ressaca, chorará em silêncio, mesmo que por dentro, a morte de parte de si
E brindará o espaço vazio na mesa do bar, agora ocupado pela saudade.
E recorda contente seu feito, que na verdade foi dele.
Um bom amigo nunca lhe estende um braço, lhe estende um copo, quase que cheio
E tem sempre um sofá, tão amigo quanto, disponível em sua sala.
Um bom amigo compra dez caixas de skol, mas sempre se lembra de comprar sua caixinha de brahma cativa
E não lhe pede cuidado com o bafômetro, lhe pede que xingue o PM, e ligue, caso precise de reforço.
Um bom amigo cultiva sempre, ao pé da mesa, um whisky muito mais velho que o das outras mesas ao redor.
Alheio aos olhares de pedinte e aos comentários maldosos do convidado ao lado.
Um bom amigo nunca cobiçará sua mulher pelas suas costas, e sim pelas costas dela
O faz pela frente e com certo ar de piadista.
Um bom amigo, se adversário, nunca deixará de cortar seu Ás, se parceiro, nunca deixará de xingar sua mãe caso seu sete caia antes do Ás
Este não precisa fazer média, visto que é da família.
Um bom amigo comemora a vitória do vasco sobre o flamengo, muito mais pela derrota do flamengo
Mas jamais critica com veemência o Brizola, ao menos na sua frente.
Um bom amigo não chorará sobre seu caixão, apoiará sobre ele os copos, e enaltecerá suas histórias, mesmo que faroleiro
Debochará das derrotas, e nelas, lhe exaltará um guerreiro
Na ressaca, chorará em silêncio, mesmo que por dentro, a morte de parte de si
E brindará o espaço vazio na mesa do bar, agora ocupado pela saudade.
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Inevitavel Partida
Já não me resta mais nada além de tristeza e dor
Nem mesmo se toda lágrima se transformasse em corda
Nem mesmo com as algemas que hoje me cerceiam a paz
Poderia eu prender-te aqui, junto de mim.
Voce, passarinho, livre das amarras do amor descabido
Livre de concessões às paixões desenfreadas
Grou de plumagem tão linda, que mais parece tuiuiu.
Não lhe cabe o doce, pois é de sal e da frieza do mármore
Amarga tal qual remédio que cura fébre e veneno que inebria.
Quisera eu seguir teu rastro e nele me perder de mim
Na mesma proporção que hoje me perco de voce.
Fora de mim eu seria mais feliz
Dentro de voce, eu seria infindavel!
Nem mesmo se toda lágrima se transformasse em corda
Nem mesmo com as algemas que hoje me cerceiam a paz
Poderia eu prender-te aqui, junto de mim.
Voce, passarinho, livre das amarras do amor descabido
Livre de concessões às paixões desenfreadas
Grou de plumagem tão linda, que mais parece tuiuiu.
Não lhe cabe o doce, pois é de sal e da frieza do mármore
Amarga tal qual remédio que cura fébre e veneno que inebria.
Quisera eu seguir teu rastro e nele me perder de mim
Na mesma proporção que hoje me perco de voce.
Fora de mim eu seria mais feliz
Dentro de voce, eu seria infindavel!
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Perfeição da Silva
Era uma vez uma menina, na verdade ainda é
Menina de alma, de corpo mulher.
Dentro dela havia um bicho, dentes grandes talvez
De patas curtas, comprido, transparente, não sei.
Também do que me importa pode-lo enxergar
Se está adormecido, morando por lá.
Bicho mal, bicho feio, que grita em todos nós
Mas nela não se ouvia, calaram-lhe a voz.
Teria Deus esquecido esta pobre menina
Ou talvez a ecolhido, uma saga, uma sina.
Será que ela sofre de magoa ou despeito?
Não carrega o tal bicho chamado defeito.
Mora na paraiso, rua de contramão
Na esquina com a céu. Seu nome é perfeição.
Menina de alma, de corpo mulher.
Dentro dela havia um bicho, dentes grandes talvez
De patas curtas, comprido, transparente, não sei.
Também do que me importa pode-lo enxergar
Se está adormecido, morando por lá.
Bicho mal, bicho feio, que grita em todos nós
Mas nela não se ouvia, calaram-lhe a voz.
Teria Deus esquecido esta pobre menina
Ou talvez a ecolhido, uma saga, uma sina.
Será que ela sofre de magoa ou despeito?
Não carrega o tal bicho chamado defeito.
Mora na paraiso, rua de contramão
Na esquina com a céu. Seu nome é perfeição.
sábado, 17 de maio de 2008
Transcendente
Mesmo que extirpem de meu peito todo o amor que hoje é seu
Mesmo que se esgote toda a força em mim, que vem de voce
Ainda assim, hei de amar-te como um insano
Pois a vida que há em mim te pertence.
Sem ti só me resta a morte. E não há distância que me faça morrer
E não há guerra que eu não possa vencer, pois trago comigo um amor incontível
Que não esmorece e que é transcendente, ainda que distante.
À mim não existe barreira, que inexorável, pois trago comigo o seu ser entranhado
E a lembrança do que fomos, ainda em presente
Já não me reconheço, posto que sou espelho
E já não me existe vida ou morte, posto que sou eterno, posto que sou a gente.
Mesmo que se esgote toda a força em mim, que vem de voce
Ainda assim, hei de amar-te como um insano
Pois a vida que há em mim te pertence.
Sem ti só me resta a morte. E não há distância que me faça morrer
E não há guerra que eu não possa vencer, pois trago comigo um amor incontível
Que não esmorece e que é transcendente, ainda que distante.
À mim não existe barreira, que inexorável, pois trago comigo o seu ser entranhado
E a lembrança do que fomos, ainda em presente
Já não me reconheço, posto que sou espelho
E já não me existe vida ou morte, posto que sou eterno, posto que sou a gente.
Suspiro Derradeiro
E no instante mais nobre da vida, a morte, não nos resta mais nada, além da nona de Beethoven, a soar incessantemente, dedilhada com a imprecisão humana, dando beleza à perfeição discreta do artísta e tornando lírico o momento do fim.
Os dedos não param, as lágrimas não cessam, escorrem ritimadamente e com a calma aflíta apropriada ao momento. A ânsia se acalanta na cova calma do vizinho artísta.
E no fim não nos resta mais nada, além da eterna nona de Beethoven, a soar incessantemente, dedilhada com a imprecisão humana, dando sentido e poesia ao suspiro derradeiro.
Os dedos não param, as lágrimas não cessam, escorrem ritimadamente e com a calma aflíta apropriada ao momento. A ânsia se acalanta na cova calma do vizinho artísta.
E no fim não nos resta mais nada, além da eterna nona de Beethoven, a soar incessantemente, dedilhada com a imprecisão humana, dando sentido e poesia ao suspiro derradeiro.
Definição de Saudade
A saudade é a dor da perda do que se tem
É o supra-sumo do contraste e do egoísmo possessivista do amor
O paradoxo lúdico de paixão excessiva e a dor da impossibilidade
Substantivo abstrato paroxítono e imensurável em palavras.
É o supra-sumo do contraste e do egoísmo possessivista do amor
O paradoxo lúdico de paixão excessiva e a dor da impossibilidade
Substantivo abstrato paroxítono e imensurável em palavras.
Réu Confesso
Eu, nascido no estado do Rio de Janeiro, carioca da gema
venho prante ao júri, declarar-me culpado
Assumo ser o assassino de minhas próprias virtudes.
Entretanto, alego crime passional e insanidade mental
Já não consigo decernir o certo do errado
Sou reflexo de minha mente, que é escrava da saudade!
venho prante ao júri, declarar-me culpado
Assumo ser o assassino de minhas próprias virtudes.
Entretanto, alego crime passional e insanidade mental
Já não consigo decernir o certo do errado
Sou reflexo de minha mente, que é escrava da saudade!
Suplícios de Imperatriz
Sinto teus gestos em meus gestos, sua mente em minha mente
Já não comando meu corpo, entregue na totalidade absoluta de meu eu
Nada passo de um espelho a refletir-lhe, alí, parada e intrépida
Eis que então, ofuscado por tua beleza extraterrena
Me entrego em silêncio aos teus suplícios de imperatriz.
Já não comando meu corpo, entregue na totalidade absoluta de meu eu
Nada passo de um espelho a refletir-lhe, alí, parada e intrépida
Eis que então, ofuscado por tua beleza extraterrena
Me entrego em silêncio aos teus suplícios de imperatriz.
Confissões de um Dom
Tenho saudade da força de me sentir mais eu
Aquele que causa dor, sofrimento e submissão
Tenho saudade de lhe impor, lhe ordenar, lhe ordenhar
Com a ânsia extrema de lhe fazer sentir um nada
Ali estática, na mais pura e linda entrega.
Rendida, implorando a migalha de meu sexo de bicho
Querendo o fluido, o comando, a força, o suor...
Saudade de lhe marcar carne, lhe apertar a anca, sodomizar sua alma
Bater-lhe na cara enquanto sorri.
Saudade do que nunca fui de fato
Sodomizado por sua falsa inocência
E dominado ante sua dissimulada submissão.
Aquele que causa dor, sofrimento e submissão
Tenho saudade de lhe impor, lhe ordenar, lhe ordenhar
Com a ânsia extrema de lhe fazer sentir um nada
Ali estática, na mais pura e linda entrega.
Rendida, implorando a migalha de meu sexo de bicho
Querendo o fluido, o comando, a força, o suor...
Saudade de lhe marcar carne, lhe apertar a anca, sodomizar sua alma
Bater-lhe na cara enquanto sorri.
Saudade do que nunca fui de fato
Sodomizado por sua falsa inocência
E dominado ante sua dissimulada submissão.
Felipinho (acróstico)
Fatalidade nos afasta
E sempre nos devasta a alma
Leva-nos a crença no perfeito
Impedi-nos de seguir, mesmo que momentaneamente
Pra que o fim? Será castigo?
Interferencia no livre-arbítrio?
Não rogo pelo fim do fim, apenas pela não interferência do ciclo
Hoje fica saudade do que
Ontem parecia eterno.
E sempre nos devasta a alma
Leva-nos a crença no perfeito
Impedi-nos de seguir, mesmo que momentaneamente
Pra que o fim? Será castigo?
Interferencia no livre-arbítrio?
Não rogo pelo fim do fim, apenas pela não interferência do ciclo
Hoje fica saudade do que
Ontem parecia eterno.
A Vida
O valor da vida não se mensura pela quantidade
E sim pela paixão, intensidade...
Identidade, muito mais que por idade
Sabedoria limitante da razão
E um coração pra se deixar saudade.
E sim pela paixão, intensidade...
Identidade, muito mais que por idade
Sabedoria limitante da razão
E um coração pra se deixar saudade.
O Sono dos Anjos
Anseio que durma, apenas durma
Que repouse ao meu lado, descansada e exausta
Não me quero o luxo de acordar ao seu lado
Pois sua figura, ali indefesa
Me faz insone, completo e imortal
Encontro a serenidade na sua respiração e a paz nos seus olhos cerrados
Sem iludir-me com a perfeicão de lhe ter pela manhã
Pois te-la por apenas essa noite me faz eterno
Fazendo da morte, que chega com a aurora, minha contente companheira.
Que repouse ao meu lado, descansada e exausta
Não me quero o luxo de acordar ao seu lado
Pois sua figura, ali indefesa
Me faz insone, completo e imortal
Encontro a serenidade na sua respiração e a paz nos seus olhos cerrados
Sem iludir-me com a perfeicão de lhe ter pela manhã
Pois te-la por apenas essa noite me faz eterno
Fazendo da morte, que chega com a aurora, minha contente companheira.
Amor de Menino
Perdoe a incosciência insistente do meu amor
Ele é só um amor de menino, puro
Que apesar da maturidade trazida pela constância
Ainda ama com sofreguidão e ainda faz da coisa amada o seu mestre absoluto.
Amor inconsequente que abandonou a mim mesmo na sua busca incessante Amor que se perdeu na distância e que não quer saber voltar
Amor que desaprendeu a ser feliz e que vive triste como um menino num canto, como um menino que chora, como um menino que sente saudade.
Ele é só um amor de menino, puro
Que apesar da maturidade trazida pela constância
Ainda ama com sofreguidão e ainda faz da coisa amada o seu mestre absoluto.
Amor inconsequente que abandonou a mim mesmo na sua busca incessante Amor que se perdeu na distância e que não quer saber voltar
Amor que desaprendeu a ser feliz e que vive triste como um menino num canto, como um menino que chora, como um menino que sente saudade.
Menina do Braço Gordinho
Eis que é linda e de pureza indizível a menina que sorrí.
De olhar rasgado, pele de porcelana e cabelos de noite
Dotada do que é incondicionalmente belo
De tanto, que a faz desconfiar de tamanha perfeição
Preferindo assim, auto-intitular-se de "menina do braço gordinho"
Julgando-se humana, achando caminhar incógnita entre nós mortais
Sem aperceber-se que nos deixa pelo caminho, a luz dos astros presente no sorriso
E o rastro de amor emanado de sua presença irretocável.
De olhar rasgado, pele de porcelana e cabelos de noite
Dotada do que é incondicionalmente belo
De tanto, que a faz desconfiar de tamanha perfeição
Preferindo assim, auto-intitular-se de "menina do braço gordinho"
Julgando-se humana, achando caminhar incógnita entre nós mortais
Sem aperceber-se que nos deixa pelo caminho, a luz dos astros presente no sorriso
E o rastro de amor emanado de sua presença irretocável.
Vazio
De tanto tesao, não consegui me refrear
Ininterrompíveis jorros invisíveis
Como um sentimento incontível
A suplicar por exercício.
Bem como a rosa que não se pode ofertar
Bem como sim que não foi dito
Bem como porra contida na boca
Que beija e lambuza de nada.
Dezoito e Cinquenta e Quatro
Em seis minutos morrerá em mim o pouco de vida que ainda me exíste.
Seis minutos são o suficiente pra que se destrua tudo aquilo que não foi construido e tudo aquilo que a mim me é perfeito e me é a luz.
Enquanto se enche de esperança, ilusão e vida a coisa amada, eu, antagônico, me afogo em minhas mágoas alcólicas.
E sinto que em mim a vida se apaixona pela morte, paixão recíproca, porém impossível.
Seis minutos são o suficiente pra que se destrua tudo aquilo que não foi construido e tudo aquilo que a mim me é perfeito e me é a luz.
Enquanto se enche de esperança, ilusão e vida a coisa amada, eu, antagônico, me afogo em minhas mágoas alcólicas.
E sinto que em mim a vida se apaixona pela morte, paixão recíproca, porém impossível.
Fotografia
Basta-me ter a coisa mais perfeita, mesmo sendo a distância.
Minh'alma precisa de alimento, que encontra no brilho dos seus olhos.
O sexo precisa de libído, que se finda na sua face estampada em minha mao trêmula.
Minha boca precisa da tua saliva, aditívo perfeito em meu sonho.
O meu ser precisa amar-te, buscando reciprocidade na próxima foto e amor na palavra imaginada.
Insonia
Essa noite eu não dormi, de tanto sentir saudade.
Para que dormir ? Se eu posso imaginar planos de saudade crônica, viagens, cartório, bodas ...
Sinto como se ao fechar os olhos, eu me distanciasse de sua imagem indizível
Ficando ainda mais longe do maior dia da minha vida, o amanhã, que será menor que o depois, e o depois, e o depois ...
Para que dormir ? Se eu posso imaginar planos de saudade crônica, viagens, cartório, bodas ...
Sinto como se ao fechar os olhos, eu me distanciasse de sua imagem indizível
Ficando ainda mais longe do maior dia da minha vida, o amanhã, que será menor que o depois, e o depois, e o depois ...
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