quinta-feira, 29 de maio de 2008

Perfeição da Silva

Era uma vez uma menina, na verdade ainda é
Menina de alma, de corpo mulher.

Dentro dela havia um bicho, dentes grandes talvez
De patas curtas, comprido, transparente, não sei.

Também do que me importa pode-lo enxergar
Se está adormecido, morando por lá.

Bicho mal, bicho feio, que grita em todos nós
Mas nela não se ouvia, calaram-lhe a voz.

Teria Deus esquecido esta pobre menina
Ou talvez a ecolhido, uma saga, uma sina.

Será que ela sofre de magoa ou despeito?
Não carrega o tal bicho chamado defeito.

Mora na paraiso, rua de contramão
Na esquina com a céu. Seu nome é perfeição.

sábado, 17 de maio de 2008

Transcendente

Mesmo que extirpem de meu peito todo o amor que hoje é seu
Mesmo que se esgote toda a força em mim, que vem de voce
Ainda assim, hei de amar-te como um insano
Pois a vida que há em mim te pertence.


Sem ti só me resta a morte. E não há distância que me faça morrer
E não há guerra que eu não possa vencer, pois trago comigo um amor incontível
Que não esmorece e que é transcendente, ainda que distante.


À mim não existe barreira, que inexorável, pois trago comigo o seu ser entranhado
E a lembrança do que fomos, ainda em presente
Já não me reconheço, posto que sou espelho
E já não me existe vida ou morte, posto que sou eterno, posto que sou a gente.

Suspiro Derradeiro

E no instante mais nobre da vida, a morte, não nos resta mais nada, além da nona de Beethoven, a soar incessantemente, dedilhada com a imprecisão humana, dando beleza à perfeição discreta do artísta e tornando lírico o momento do fim.

Os dedos não param, as lágrimas não cessam, escorrem ritimadamente e com a calma aflíta apropriada ao momento. A ânsia se acalanta na cova calma do vizinho artísta.

E no fim não nos resta mais nada, além da eterna nona de Beethoven, a soar incessantemente, dedilhada com a imprecisão humana, dando sentido e poesia ao suspiro derradeiro.

Definição de Saudade

A saudade é a dor da perda do que se tem
É o supra-sumo do contraste e do egoísmo possessivista do amor
O paradoxo lúdico de paixão excessiva e a dor da impossibilidade
Substantivo abstrato paroxítono e imensurável em palavras.

Réu Confesso

Eu, nascido no estado do Rio de Janeiro, carioca da gema
venho prante ao júri, declarar-me culpado
Assumo ser o assassino de minhas próprias virtudes.


Entretanto, alego crime passional e insanidade mental
Já não consigo decernir o certo do errado
Sou reflexo de minha mente, que é escrava da saudade!

Suplícios de Imperatriz

Sinto teus gestos em meus gestos, sua mente em minha mente
Já não comando meu corpo, entregue na totalidade absoluta de meu eu
Nada passo de um espelho a refletir-lhe, alí, parada e intrépida
Eis que então, ofuscado por tua beleza extraterrena
Me entrego em silêncio aos teus suplícios de imperatriz.

Confissões de um Dom

Tenho saudade da força de me sentir mais eu
Aquele que causa dor, sofrimento e submissão
Tenho saudade de lhe impor, lhe ordenar, lhe ordenhar
Com a ânsia extrema de lhe fazer sentir um nada

Ali estática, na mais pura e linda entrega.

Rendida, implorando a migalha de meu sexo de bicho
Querendo o fluido, o comando, a força, o suor...
Saudade de lhe marcar carne, lhe apertar a anca, sodomizar sua alma
Bater-lhe na cara enquanto sorri.

Saudade do que nunca fui de fato
Sodomizado por sua falsa inocência
E dominado ante sua dissimulada submissão.

Felipinho (acróstico)

Fatalidade nos afasta
E sempre nos devasta a alma
Leva-nos a crença no perfeito
Impedi-nos de seguir, mesmo que momentaneamente
Pra que o fim? Será castigo?
Interferencia no livre-arbítrio?
Não rogo pelo fim do fim, apenas pela não interferência do ciclo
Hoje fica saudade do que
Ontem parecia eterno.

A Vida

O valor da vida não se mensura pela quantidade
E sim pela paixão, intensidade...
Identidade, muito mais que por idade
Sabedoria limitante da razão
E um coração pra se deixar saudade.

O Sono dos Anjos

Anseio que durma, apenas durma
Que repouse ao meu lado, descansada e exausta
Não me quero o luxo de acordar ao seu lado
Pois sua figura, ali indefesa
Me faz insone, completo e imortal


Encontro a serenidade na sua respiração e a paz nos seus olhos cerrados
Sem iludir-me com a perfeicão de lhe ter pela manhã
Pois te-la por apenas essa noite me faz eterno
Fazendo da morte, que chega com a aurora, minha contente companheira.

Amor de Menino

Perdoe a incosciência insistente do meu amor
Ele é só um amor de menino, puro
Que apesar da maturidade trazida pela constância
Ainda ama com sofreguidão e ainda faz da coisa amada o seu mestre absoluto.


Amor inconsequente que abandonou a mim mesmo na sua busca incessante
Amor que se perdeu na distância e que não quer saber voltar
Amor que desaprendeu a ser feliz e que vive triste como um menino num canto, como um menino que chora, como um menino que sente saudade.

Menina do Braço Gordinho

Eis que é linda e de pureza indizível a menina que sorrí.
De olhar rasgado, pele de porcelana e cabelos de noite
Dotada do que é incondicionalmente belo
De tanto, que a faz desconfiar de tamanha perfeição
Preferindo assim, auto-intitular-se de "menina do braço gordinho"
Julgando-se humana, achando caminhar incógnita entre nós mortais
Sem aperceber-se que nos deixa pelo caminho, a luz dos astros presente no sorriso
E o rastro de amor emanado de sua presença irretocável.

Vazio

De tanto tesao, não consegui me refrear Ininterrompíveis jorros invisíveis Como um sentimento incontível A suplicar por exercício. Bem como a rosa que não se pode ofertar Bem como sim que não foi dito Bem como porra contida na boca Que beija e lambuza de nada.

Dezoito e Cinquenta e Quatro

Em seis minutos morrerá em mim o pouco de vida que ainda me exíste.
Seis minutos são o suficiente pra que se destrua tudo aquilo que não foi construido e tudo aquilo que a mim me é perfeito e me é a luz.
Enquanto se enche de esperança, ilusão e vida a coisa amada, eu, antagônico, me afogo em minhas mágoas alcólicas.
E sinto que em mim a vida se apaixona pela morte, paixão recíproca, porém impossível.

Fotografia


Basta-me ter a coisa mais perfeita, mesmo sendo a distância.
Minh'alma precisa de alimento, que encontra no brilho dos seus olhos.
O sexo precisa de libído, que se finda na sua face estampada em minha mao trêmula.
Minha boca precisa da tua saliva, aditívo perfeito em meu sonho.
O meu ser precisa amar-te, buscando reciprocidade na próxima foto e amor na palavra imaginada.

Insonia

Essa noite eu não dormi, de tanto sentir saudade.
Para que dormir ? Se eu posso imaginar planos de saudade crônica, viagens, cartório, bodas ...
Sinto como se ao fechar os olhos, eu me distanciasse de sua imagem indizível
Ficando ainda mais longe do maior dia da minha vida, o amanhã, que será menor que o depois, e o depois, e o depois ...