Me parecia que a beleza do mundo morava ali, entre suas
orelhas e a boca, bem ali, em suas indefectíveis bochechas rosadas.
Elas tinham vidas próprias e balbuciavam um ligeiro sorriso,
que queria eu apoderar-me, encaixotá-lo e subtraí-lo, como merecedor de
imensurável riqueza.
Neste segundo, de passagem, eram nelas que moravam
os sonhos, desilusões e destinos de todos os homens.
E em poucos minutos, de rastro, encontro a paz em seu corpo
sereno, onde descansam fracos e fortes, e onde fenecem amores antigos.