terça-feira, 30 de agosto de 2011
Gênesis
Após seu nascimento vieram novecentas feias, novecentas burras e outras tantas haveriam de ser más. Mas Deus, em sua bondade inexorável, não permitiria que o mundo lhe rende-se salvas com adoração divina e olhares de franco-atirador. E eu, que não creio nas armas da inveja, nem na adoração de divindades, prefiro apenas admirar-te com a calidez de quem ama, humanamente, cada desumanidade em seu ser.
sábado, 20 de agosto de 2011
A Lenda da Insonia
Espero-te na calada da noite, que transforma os morcegos, companheiros, em cornetas que soam a mesma cantiga. Que conta de um homem que vira menino, e espera-te na calada da noite, que transforma os morcegos, companheiros, em cornetas que soam a mesma cantiga. Que conta de um homem que vira menino, e espera-te na calada da noite, que transforma os morcegos, companheiros, em cornetas que soam a mesma cantiga. Que conta de um homem que vira menino...
terça-feira, 19 de julho de 2011
As Uvas
Não é porque você é linda e os seus olhos brilham feito bolas de gude, mas assim, achatadinhas, que os olhos do mundo estejam todos em você. Nem é também porque o seu nariz é perfeito e com seu ar de sem jeito combina qual goiabada com queijo, que ele abrigue o centro do mundo. Muito menos porque o seu ar de soberba transforma em súdito até o rei que mora em sua barriguinha perfeita, que Deus a salvará. Oh, rainha! E o seu perfume, flutuando alheio a cupidez das orquídeas, nem de longe é o perfume de terra molhada que acalma os espíritos. E não é porque você é perfeita e você é de marte, assim, inatingível, que deixarei de ser a raposa engolindo a saliva a contemplar-te em silencio.
Soneto da Flor
Que perfume terá toda flor de Jasmim?
Eu não sinto, tu estás tão distante
Me acalmando o coração errante
Sei que és branca, da cor do marfim.
Que perfume terá esta flor de Jasmim?
Ao meu peito trouxe a primavera
Teu sorriso de uma nova era
E tua boca cruel de carmim.
Que perfume terá minha flor de Jasmim?
Apesar da distância de vida
E o talvez permanente em sua ida
A alvorada me traz a sentença
Na ausência da sua presença
Que é teu cheiro que eu quero em mim.
E agora?
E agora meu amor, e agora?
Que você veio
Trouxeste a sorte
E com ela, a paz.
E agora meu amor, e agora?
Que tu te extirpaste
Me restando a morte
Tu já não estás.
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