terça-feira, 15 de setembro de 2009
O Futuro
Embora eu prefira a irrefutabilidade do inocultável
Um tangido amor de praça
Daquele que dá-se as mãos e abraços de muitos braços
Todos eles sem relógio.
Já não me comove aquela peripécia de outrora
Com ar de cálida aventura desventurada
Mas não me entenda mal quanto a calidez
Quero apenas a gente sem pressa, a gente que fica, sem hora de voltar.
E por fim, que o fim seja tarde, grisalho, prosaico e quase enfadonho
Seguindo naturalmente o fim cronológico dos que morreram felizes para sempre.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Ímpar
Que depois do primeiro há segundo
Que nem todo nordeste é Raimundo
E que nem todo solo é fecundo.
E a cada segundo a certeza
Que és ímpar na natureza
E que ninguém mais num descuido
Mesmo que com lábios de mel
Tirará o meu chão, o meu rumo
Como me inebriaste em teu fel.
Se eu morrer de tristeza infinita
Ou de felicidade aparente
Assassina deveras latente
Que se acuse a mulher mais bonita.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Projetos Tolos
Quando a paz que ansiamos em conjunto nos encontrar e quando nos encontrarmos.
Milhões de cornetas soarão. Em membros trépidos, voz embargada e corpo quente, pelo fervor do sangue a borbulhar em meu peito, falar-te-ei de meu amor e projetos tolos ao ponto de apaixona-te derradeiramente.
Quando a paz que ansiamos em conjunto nos encontrar e quando nos encontrarmos
Nenhum som será ouvido, exceto o sussurrar de nossas almas suplicantes. Em membros trépidos, voz embargada e corpo quente, pelo fervor do sangue a borbulhar em meu peito, falar-te-ei de meu amor e projetos tolos ao ponto de apaixona-te infinitamente.
Quando a paz que ansiamos em conjunto nos encontrar e quando nos encontrarmos.
Calar-te-ei a alma com meus lábios secos de medo, luxúria e paixão...
sábado, 10 de janeiro de 2009
Mesóclise Platônica
O Assassinato do Menor A.
Rio de Janeiro, 10 de Janeiro de 2009
Morre, aos 3 anos e 3 meses, o menor Amor K. Leite
Amor foi morto, no momento em que embarcava no portão internacional do aeroporto Galeão
As vinte horas e nove minutos, horário de Brasilía.
Segundo testemunhas, o assassino portava uma tristeza de poderoso calíbre
E o mesmo encontrava-se escondido atrás de um boné, destes de esconder lágrimas.
Após um breve aceno de mão, que sequer era pra ele
Um sorriso de franzir os olhos, que sequer tinham o avistado
E lágrimas incessantes, ah sim, essas eram pra ele
Naquele momento ocorreu o infanticídio do Amor.