quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

O Sábio


Quisera eu saber da dor do amor, da dor do parto, da dor do parto
Se eu soubesse o peso de uma lágrima ou o sofrimento contido na paixão
Jamais teria amado, parido, partido, chorado, me apaixonado, jamais apaixonado.

Quem dera saber o valor de uma rosa, o terror de uma morte , a dor de uma briga
Jamais teria ofertado, morrido ou vencido
Saber do valor de uma vida, jamais teria vivido.

Balanço de 2008


Talvez poucas pessoas tenham perdido as duas coisas que mais amou em toda sua vida, num mesmo ano.

Talvez muitas pessoas tenham chorado a exaustão, mas sequer tenham sentido o peso de duas lagrímas que jamais secarão, num mesmo ano.

Talvez muitas pessoas tenham decidido mudar de vida no ano que vai partindo, talvez sua maioria nem tenha posto em prática essa vontade, mas certamente poucas estão vivendo esse momento e sequer tem mais forças pra se levantar pela manhã.

Talvez eu espere um próximo ano com mais certezas, talvez eu nem esteja aqui pra ver o final do ano que vem, talvez nem voce esteja para um “quem sabe” próximo balanço anual.

Esse ano só me deu uma certeza, a de que eu quero que ele temine antes de mim.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Você e a Madrugada

Chegou e fez-se notar imediatamente
Como a presença irremediável da madrugada
Naquela noite, me fez livre e eterno
Envoltos nos astros, nos amamos como nenhum ser poderia amar.

Bebi daquela madrugada como se fosse minha vida
Respirei o ar gélido da noite
Com a calidez sôfrega da ânsia dos corpos
E como se o relógio fosse invenção banal.

Partiste como a névoa da serra ao início da aurora
Sem marcas, sem vestígios tangíveis
Exceto pelo serração da lembrança
Eternamente querendo saber que horas são.